sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Professoras gaúchas inovam no ensino e ganham prêmio

O X da Educação | 15/10/2010 | 04h58min

Elas serão homenageadas amanhã em São Paulo pela Fundação Victor Civita

Leila Endruweit e Letícia Barbieri | leila.endruweit@zerohora.com.br leticia.barbieri@zerohora.com.br

Paula Vargas tem 25 anos, mora em Portão e leciona para uma turma de 1ª série em uma escola de Montenegro, no Vale do Caí. Lisiane Hermann Oster, 28 anos, vive do outro lado do Estado, em Ijuí, no Noroeste. Ambas têm em comum a vocação de ensinar.

As duas gaúchas farão parte do grupo de 10 professores homenageados amanhã, em São Paulo, pela Fundação Victor Civita. O trabalho delas ganhou destaque entre 3.392 inscritos no prêmio Educador Nota 10, que valoriza inovações em educação.

Pela arte, Paula ajudou os alunos a descobrir o sabor de criar. Lisiane encontrou uma forma lúdica de ensinar matemática. No Dia do Professor, elas explicam como têm feito bem a lição de casa.

O prêmio
- Promovido pela Fundação Victor Civita, o Prêmio Educador Nota 10 quer identificar, valorizar e divulgar as experiências educativas de qualidade realizadas por professores, diretores e coordenadores pedagógicos em escolas de ensino básico regular
- A ideia é disseminar as melhores práticas desenvolvidas pelos premiados para educadores.
- Amanhã, os 10 premiados apresentarão seus projetos a uma banca, em São Paulo. O Educador do Ano ganha bolsa de pós-graduação na universidade que escolher

Uma turma sem medo de usar a imaginação
Intervalos de aulas que eram preenchidos com jogos e brincadeiras agora são ocupados pela arte. Em Montenegro, a professora Paula Vargas, 25 anos, driblou protestos na Escola Municipal Adolfo Schüler e ganhou a confiança de meninos e meninas. Ao deparar com a resistência dos alunos da 1ª série em criar, ela se sentiu desafiada. Eles argumentavam que não sabiam desenhar. A queixa batizou o projeto de Paula: Eu Não Sei Desenhar: Vendo, Conhecendo e Recriando Árvores.

Primeiro, a professora elegeu as árvores como objeto de estudo. Um desenho básico, que poderia ser observado no pátio da escola, sem custo. Depois, levou para a sala de aula árvores pintadas por artistas, como Iberê Camargo e Tarsila do Amaral.

Diante das obras, a professora mostrou aos alunos que cada um tem uma forma de representar sua arte e que todas são válidas:

– Hoje, eles sabem que árvores não são apenas troncos e galhos. Perceberam que animais vivem nelas, que elas têm textura, cheiro.

O projeto de Paula virou monografia no curso de pós-graduação em Arte-Educação, na Feevale. Com o prêmio, ela ganha muito mais do que os R$ 10 mil que a Fundação Victor Civita dá aos vencedores. Conquista reconhecimento.

O desafio de brincar com números
Lidar com números é um desafio para crianças de cinco e seis anos. Pensando nisso, a professora Lisiane Hermann Oster, 28 anos, desenvolveu o projeto O Sistema de Numeração e a Criança Pequena, com 20 alunos da Escola de Educação Infantil do Sesc, em Ijuí.

A partir dos questionamentos dos próprios alunos, ela elaborou atividades que os ajudaram a compreender a importância dos números. Curiosidade e iniciativa foram ferramentas na aprendizagem. Inicialmente, os estudantes trabalharam com medidas próximas a eles: as do próprio corpo. Mediram altura, analisaram o peso.

Depois, eles fizeram um jogo com a carinha de cada aluno. Aprenderam noções de maior/menor e menos/mais, comparando as medidas dos colegas. Depois, montaram coleções. Até pensaram em objetos caros.

– Depois, eles entenderam que colecionar coisas simples é divertido – disse a professora.

Na última etapa, as crianças produziram joguinhos com percurso, no qual contaram os espaços para chegar a cada lugar.

ZERO HORA

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